27/11/2009

As minhas aventuras no País da Gripe A- Parte 1 Sistema Público


Era uma vez uma inocente cidadã de um país "à beira mar plantado" que, por andar com a paranóia da prevenção do Vírus H1N1, mudara até o seu nome para País da Gripe A.
Essa cidadã, --que como já entenderam era Eu, Alergia, -- tomara as suas precauções habituais de saúde, entre as quais o receber a vacina da gripe sazonal. Agora, com algums cautelas, ia prosseguindo a sua vida.
Até que ,um belo dia, foi assaltada por uma malvada tosse seca, que rapidamente convocou uma febre mesquinha e as malandras dores de garganta.
A nossa Alergia viu então que todos os seus sintomas correspondiam aos descritos pelos responsáveis de Saúde como indiciadores da presença de Gripe A.
No Centro de Saúde (CS), a sua médica de família encontrava-se ausente, pelo que uma enfermeira aconselhou a nossa protagonista a ficar em casa em vez de ir ao CS ao atendimento da Gripe (não fosse : A) ou contagiar-se, caso NÃO tivesse Gripe A; B) ou contagiar os outros , caso a tivesse...). Tomaria paracetamol e bebeberia muitos líquidos e, se piorasse, iria então ao SASU, centro de Urgências do CS.
Alergia assim fez e , no dia seguinte, sob chuva copiosa e vento cortante, dirigiu-se ao dito SASU, pois a febre, em vez de baixar só aumentava.
No guichet da recepção, uma jovem atendeu-a e, quando Alergia disse as palavras mágicas - "FEBRE, "DORES DE GARGANTA" , "TOSSE" e "CANSAÇO", _ficou visivelmente assustada e pediu que aguardasse para ser atendida pelo feiticeiro local, digo, médico.
Como que por magia, Alergia não teve de esperar muito e em breve franqueava as portas transparentes da ala dos gabinetes médicos.
O Médico examinou-a com grande rapidez (qual auscultar como deve ser, qual medir a febre!), e depois de lhe observar a garganta em poucos segundos,sem explicar à Alergia do que padecia,receitou diversos remédios, entre os quais um antibiótico de penicilina, usado para combater uma praga que andava também por aquele Reino: a Pneumonia. Nada lhe disse quanto a uma coloração rosada da expectoração de que a Alergia se queixou ter ocasionalmente.
Alergia perguntou-lhe se acaso tinha Gripe, mas o feiticeiro, digo ,Médico disse que, se assim fosse, não estaria a ser atendida ali mas noutra entrada.
Alergia estranhou muito esta enigmática resposta porque, por um lado, não tinha visto nenhuma outra entrada especial para os casos de gripe; por outro lado nem supunha que a jovem do guichet fosse também feiticeira e, assim, Alergia já estaria diagnosticada antes de ver o médico!
Aquilo era tão estranho como lhe dizerem: está aqui pois não está em Nova Iorque, aqui trata-se o ouvido direito que para tratar o esquerdo deveria estar na porta ao lado... Mas era a febre, certamente, a falar na sua cabeça.
Para complicar a situação, o médico só lhe passaria uma justificação de faltas para aquele próprio dia, Sábado e nada recomendou quanto a possível quarentena ou dias necessários de repouso, tivesse ou não febre alta!
Alergia comprou os remédios e começou a tomá-los e ficou com esperança na consulta de segunda-feira que havia há muito marcado no CS com a sua médica.
Mas a consulta foi desmarcada em cima da hora, para seu grande desgosto!
Passou então a consultar o célebre Oráculo Mágico chamado "Saúde 24", através do telefone.
Chamou pelo oráculo uma ou duas vezes, mas ele deveria estar em meditação e o apelo ecoou... e "falhou". Finalmente, uma pitonisa simpática que trabalhava lá no Oráculo, chamada Enfermeira, respondeu aos apelos.
A enfermeira mágica começou então a propor uma série de enigmas, todos em série e alguns repetidos, chamado inquérito, e avisou Alergia que aquela conversa do Oráculo estava a ser registada magneticamente, talvez para posterior consulta pelos deuses. Depois de gastar quase toda a sua bateria do telefone a responder, Alergia soube pela enfermeira mágica que a sua "situação gripal" , a sê-lo (afinal tinha ou não gripe? Mistério selado!) estaria a ser bem ultrapassado, mas que me enviaria para um outro Oráculo, presidido por um Feiticeiro médico, para que este lhe pudesse propor novos enigmas, agora sobre a sua estranha expectoração.
Alergia esperou pacientemente pela voz do seu oráculo, indo entretanto escutando melodiosas vozes de sereias e de harpas ao telefone. Quando ouviu um som de atendimento, o seu coração alegrou-se. Eis quando, de repente, o dito Oráculo desligou o seu receptor mágico!
Recusando resignar-se,Alergia, no País da Gripe A mas- que -não- quer- nem -saber- se -tens- o-raio-da- gripe A, optou então por se meter a caminho de novas aventuras, em busca da cura para a sua maleita: dirigiu-se ao Principado Vizinho da Saúde Privada...
(continua em breve, assim que a nossa protagonista recupere algumas forças)

7 espirros:

Margarida Az sexta-feira, novembro 27, 2009  

Parabéns ó resistente criativa!
Bjos,
M.

Hurtiga sábado, novembro 28, 2009  

Sistema de saúde da república das bananas.
Os doentes têm de fazer fila de madrugada para terem acesso a uma consulta do médico de família, por vezes debaixo de chuva...

Para a Alergia, AS MELHORAS, MIGA!
:)

Jaime Basilio sábado, novembro 28, 2009  

Falar nessa genta importante que cura os demais,ou que trata com os demais,olhando ou gesticulando de cima para baixo e e' sempre a mesma coisa:o que deixam transparecer e' a arrogancia,como se nao tivessem a ser pagos como todo o mundo.Mas em Portugal e' assim!terra de gente com gravata de gente civilizada...Se nao fosse o clima e o futebol e certos clubes que teimam em construir atletas,Portugal ficava-se pela arrogancia e pela coleira da civilizacao que doutos e outros trazem para que fique explicito,que sao gente de bem.Compreendi a mensagem e passo por la' de quando em quando para ferias.Mas e' pena.

Alergia domingo, novembro 29, 2009  

Margarida, Resistir é vencer! Também neste caso...

Alergia domingo, novembro 29, 2009  

J. Basílio. Tem razão, este "reino" qualquer dia só é bom para se passar férias. E mesmo assim é acautelar, não se vá passar algo... como ficar doente nessas férias!

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